sexta-feira, 6 de julho de 2012

Teste do Pezinho


O Teste do Pezinho é um exame laboratorial simples que tem o objetivo de detectar precocemente doenças metabólicas, genéticas e ou infeciosas que poderão causar lesões irreverssíveis no bebê, como por exemplo retardo mental. A maioria das doenças pesquisadas podem ser tratadas com sucesso desde que diagnósticadas antes mesmo de manifestar os primeiros sintomas. Existem três tipos de teste: Básico, Ampliado e Plus.

Algumas Doenças que o teste do Pezinho pode detectar precocemente:
  • Fenilcetonúria
Distúrbio genético no qual um dos aminoácidos presentes no leite pode prejudicar a saúde do bebê causando retardo mental grave.

  • Galactosemia
A galactose presente no leite causa, nas crianças com galactosemia, um quadro grave marcado por catarata, convulsões e diarréia. 

  • Hipotireoidismo
A falta do hormônio produzido na glândula tireóide causa deficiência mental e retardo de crescimento

  • Hiperplasia Adrenal

Distúrbio no metabolismo que pode levar à desidratação aguda e na menina, a masculinização dos órgãos genitais. 

  • Fibrose Cística
Doença genética que causa problemas respiratórios e gastrointestinais crônicos.

  • Deficiência de biotinidase
A carência da biotina pode levar a convulsões, falta de equilíbrio, hipotonia, lesões na pele, perda de audição, retardo no desenvolvimento a acidose metabólica.
  • Toxoplasmose
Infecção adquirida pela gestante que, se transmitida ao feto, pode causar microcefalia, lesões oculares entre outros.
  • G6PD
A deficiência de Glicose-6-Fosfato Desidrogenase é a enzimopatia mais comum podendo apresentar grave icterícia neonatal ("amarelão") ou anemia hemolítica (ruptura dos glóbulos vermelhos.
  • Rubéola
Infecção viral transmitida pela mãe ao feto que pode causar deficiência mental, retardo no crescimento, deficiência auditiva, defeitos cardíacos, catarata, lesões ósseas e outros problemas.

  • Anemia Falciforme
As hemoglobinopatias são doenças causadas por anormalidades na estrutura molecular ou na produção da hemoglobina "S". Crianças com hemoglobina anormal são altamente suscetíveis à anemia e infecções.
  • MCAD
Distúrbio Genético que interfere na utilização dos Ácidos Graxos como fonte de energia para o organismo. É uma doença genética potencialmente fatal que pode provocar o quadro de Síndrome da Morte Súbita.

  • Sífilis

A criaa que adquire essa doença durante a gestação pode apresentar, ao nascimento, problemas de pele, ossos, baço, fígado e sistema nervoso. Em alguns casos, a doença só se manifesta após alguns anos.
  • Citomegalovirose

Entre as manifestações associadas à infecção congênita pelo citomegalovírus estão a hidrocefalia, calcificações cerebrais e seqüelas visuais, auditivas e mentais.
  • Doença de Chagas

Parasitose que, quando adquirida na gestação, pode se manifestar por anemia, febre, dores musculares, lesões ósseas e graus variados de problemas cardíacos.
  • AIDS

A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida pode ser transmitida ao feto pela mãe contaminada pelo vírus HIV.
  • Pesquisa da Mutação 35delG da Conexina (Surdez Congênita não Sindromica)
A mutação 35delG do gene da Conexina 26 é uma das causas mais comuns de Surdez Congênita não Sindrômica. Seu modelo de herança é autossômico recessivo. Em países desenvolvidos, 60% dos casos de surdez tem origem genética.

  • Espectotrometria de Massa em Tandem

A Espectrometria de Massa em Tandem é uma técnica que permite uma extensa pesquisa relacionada a Erros Inatos do Metabolismo dos ácidos orgânicos e dos aminoácidos. 

  • Realização da coleta do Teste do Pezinho
 O período ideal para a realização da coleta do Teste do Pezinho é a partir do 3º dia de vida do bebê ou o mais brevemente possível. Isto não invalida, entretanto, a sua realização em bebês com mais dias de vida. O que poderá ser prejudicada é a eficácia do tratamento, caso necessário.

 Realaização da coleta do Teste do Pezinho

 O período ideal para a realização da coleta do Teste do Pezinho é a partir do 3º dia de vida do bebê ou o mais brevemente possível. Isto não invalida, entretanto, a sua realização em bebês com mais dias de vida. O que poderá ser prejudicada é a eficácia do tratamento, caso necessário.


Fonte: www.testedopezinho.com.br

Hipotireoidismo

É uma síndrome que resulta da deficiência da produção de hormônios tireoidianos. Estima-se que 3 a 5% da população tenha alguma forma de hipotireoidismo. É mais comum em mulheres e a incidência aumenta com a idade.

Quando não tratado, o hipotireoidismo causa, nas crianças, atraso grave do crescimento e retardo mental. Na vida adulta, leva à depressão generalizada das funções orgânicas. 

Não existe prevenção, a não ser a triagem neonatal com o teste do pezinho para detecção do hipotireoidismo congênito. Mas existem exames simples para o diagnóstico e o tratamento com hormônio tireoidiano sintético é seguro e eficaz uma vez que a dose adequada é estabelecida.

Quadro clínico


A clínica resulta da redução da atividade metabólica e do depósito de glicosaminoglicanos no interstício. Os sinais e sintomas variam muito, dependendo da severidade da doença. As manifestações clínicas que aparecem tendem a se desenvolver lentamente, ao longo de vários anos, caso o tratamento não seja instituído.
O cretinismo é a principal manifestação do hipotireoidismo em lactentes e recém-nascidos. Suas principais características são:
  • Retardo mental
  • Baixa estatura
  • Aspecto edemaciado da face e das mãos
  • Mutismo por surdez
  • Anormalidades nos tratos piramidais e extrapiramidais
Nos recém-natos os principais sintomas são:
  • Dificuldade de respirar
  • Cianose
  • Icterícia
  • Amamentação insuficiente
  • Choro rouco
  • Hérnia umbilical
  • Atraso acentuado da maturação óssea
A triagem rotineira dos recém-nascidos tem contribuído com o diagnóstico precoce.
Nas crianças com hipotireoidismo há:
  • Atraso no crescimento resultando em baixa estatura
  • Lentificação do aparecimento dos dentes permanentes
  • Puberdade atrasada
  • Sinais de retardo mental
Nos adultos, os sintomas não são específicos e frequentemente são associados ao processo de envelhecimento. Eles se tornam mais óbvios quando esta condição piora. O quadro clínico se caracteriza por:
Nos estágios iniciais da doença:
  • Fadiga
  • Fraqueza
  • Mialgia
  • Artralgia
  • Cãimbras
  • Reflexos lentos
  • Pele fria, áspera, pálida e seca
  • Depressão
  • Dores de cabeça
  • Intolerância ao frio
  • Aumento do fluxo menstrual
  • Palidez
Quando o hipotireoidismo vai evoluindo sem tratamento, podem ser observados: 
  • Cansaço
  • Edema periférico
  • Constipação intestinal
  • Fala lenta
  • Rouquidão
  • Dispneia
  • Ganho de peso (não intencional)
O estágio terminal do hipotireoidismo não tratado é o coma mixedematoso, em que há uma descompensação que pode ser precipitada por uma infecção, trauma, insuficiência cardíaca ou outras causas. É caracterizado por:
  • Letargia
  • Estupor (raramente os pacientes apresentam-se em coma)
  • Diminuição dos batimentos cardíacos
  • Baixa oxigenação
  • Funcionamento pobre dos rins
  • Diminuição da motilidade intestinal
  • Temperatura baixa
  • Dificuldades respiratórias
  • Choque e até morte.
 
Causas do Hipotireodismo
  • Tireoidite de Hashimoto: é talvez a causa mais comum de hipotireoidismo, caracterizada pela presença de auto-anticorpos.
  • Redução do tecido tireoidiano por iodo radioativo ou por cirurgia.
  • Deficiência de iodo. O iodo é essencial para a produção hormonal da tireoide. Ele pode ser encontrado em frutos do mar, vegetais e sal enriquecido com iodo. A adição de iodo ao sal de cozinha eliminou este problema em vários países.
  • Doença de Graves (geralmente cursa com hipertireoidismo, mas no estágio final pode haver hipotireoidismo).
  • Tireoidite subaguda (o hipotireoidismo pode ocorrer na fase tardia).
  • Medicamentos que podem induzir hipotireoidismo: carbonato de lítio (usado no tratamento dos estados maníacos depressivos), amiodarona, propiltiouracil e metimazol.
Outras causas de hipotireoidismo:
  • Erros inatos da síntese de hormônios tireoideos.
  • Deficiências hipofisárias e hipotalâmicas.
  • Resistência periférica aos hormônios tireoidianos.
  • Doenças congênitas: geralmente bebês com hipotireoidismo congênito não apresentam alterações ao nascimento, por isso o Teste do Pezinho ajuda no rastreamento destes casos e facilita a introdução do tratamento precoce.
  • Doenças da glândula hipófise. Causa rara de hipotireoidismo em que a hipófise não produz quantidade suficiente de TSH – geralmente tem como causa um tumor benigno na glândula.
  • Gravidez. Algumas mulheres desenvolvem hipotireoidismo durante ou após a gravidez por produzirem anticorpos contra a sua própria glândula. Se não tratado, este hipotireoidismo aumenta o risco de aborto, parto prematuro, pré-eclâmpsia e também pode afetar o desenvolvimento fetal.

Fatores de risco


O hipotireoidismo ocorre principalmente:
  • No sexo feminino.
  • Na idade de 50 anos ou mais.
  • Se você tem um parente próximo com hipotireoidismo, como pais ou avós, com uma doença auto-imune.
  • Se você já fez tratamento com iodo radioativo e medicações como propiltiouracil ou metimazol, pois o tratamento para o hipertireoidismo pode resultar em hipotireoidismo permanente.
  • Se você já recebeu algum tipo de radiação no pescoço ou na parte superior do tronco.
  • Se já fez cirurgia de tireoide (tireoidectomia parcial ou total).
  •  
Tratamentos Naturais
  • Você precisa de iodo cada dia, a cada refeição. O uso prolongado de medicação para tireóide pode enfraquecer os ossos ou resultar em câncer de mama. 
  • Uma fonte de iodo é a solução de Lugol. Isto, naturalmente, deve ser tomado em doses muito pequenas. Infelizmente, é difícil de se obter. Talvez seja encontrado em farmácias.
  • Há também sal iodado. O problema aqui é que o alumínio presente, o que pode levar à doença de Alzheimer. Portanto, cuidado.
  • Alguns usam sal marinho, mas geralmente não é nada mais do que o sal normal extraído do oceano ao invés de minas de sal. Alguns utilizam sal das minas de sal, e moem tudo. Mas este carece de iodo.
  •  Para alguns, os problemas da tiróide podem ser corrigidos, mas para outros, é algo que durará toda a vida. Alguns especialistas dizem que é bom comer com moderação alimentos da família do repolho (brócolis, repolho, couve, couve de bruxelas, folhas de mostarda), pois eles tendem a suprimir a função tireoidiana. O mesmo é dito para os pêssegos e pêras.
  • Cloro, flúor e iodo o quimicamente relacionados, e bloqueiam a entrada do iodo na tireóide. Portanto, evite água clorada, água fluorada e creme dental.
  • Uma deficiência da tireóide pode resultar da falta de sol ou por gorduras (margarina, manteiga, maionese, alimentos fritos, óleos, e manteiga de amendoim).
  • As funções da tireóide poderão ser aumentadas fazendo-se exercícios físicos, pois isso estimula a produção TSH pela hipófise. O T3 aumenta lentamente no sangue durante e após um exercício vigoroso.
  • O leite materno é um bom tratamento para bebês hipotireoideanos, e ajuda a proteger os bebês normais de desenvolver o problema até o desmame.
  • A vitamina A é necessária para iodo a ser devidamente absorvido; vitaminas B trabalham juntos, para nutrir a tireóide; B6 ajuda a tireóide em sua utilização eficaz de iodo na produção hormonal; B12 ajuda a tireóide a funcionar corretamente.
  • Para estimular a tiróide: coma uma porção de aveia e bananas diariamente, tome uma ducha fria cada manhã e à noite, e trabalhe ao ar livre de 3 a 5 horas todos os dias.
  •  Utilize uma dieta livre de sal, óleo e açúcar até que a tiróide esteja sob controle. Mas, a longo prazo, você precisará de um pouco de sal e azeite.

Fonte: www.abc.med.br 

Galactosemia


A galactosemia é um erro inato do metabolismo (de característica autossômica recessiva), caracterizado por uma inabilidade em converter galactose em glicose da maneira normal. O resultado imediato é o acúmulo de metabólitos da galactose no organismo, que passa a ter níveis circulantes elevados e tóxicos, principalmente para o fígado, cérebro e olhos.

  
Causas 

A galactosemia é uma doença hereditária. É passada de geração em geração.
Ocorre, aproximadamente, em 1 a cada 60.000 partos de indivíduos de pele branca. A taxa é diferente em outros grupos.
Existem três formas da doença:
  • Deficiência da enzima galactose1fosfato uridil transferase (galactosemia clássica, a forma mais comum e mais grave)
  • Deficiência de galactoquinase
  • Deficiência de galactose-6-fosfato epimerase
As pessoas com galactosemia não conseguem transformar o açúcar simples da galactose. A galactose compõe metade da lactose, o açúcar encontrado no leite. O outro açúcar é a glicose.
Se um bebê com galactosemia tomar leite, substâncias feitas de galactose se acumularão em seu sistema. Essas substâncias danificam o fígado, cérebro, rins e olhos.
Pessoas com galactosemia não toleram qualquer tipo de leite (humano ou animal). Elas devem ter cuidado com a ingestão de outros alimentos que contenham galactose.

Exames 

Sinais incluem:
  • Aminoácidos na urina e/ou plasma sanguíneo (aminoacidúria)
  • Fígado aumentado (hepatomegalia)
  • Líquido no abdome (ascite)
  • Baixo nível de açúcar no sangue (hipoglicemia)
A triagem neonatal em vários estados examinará essa doença.
Os exames incluem:
  • Hemocultura para infecção de bactéria (E. coli sepsis)
  • Atividade enzimática nos glóbulos vermelhos
  • Cetonas na urina
  • Diagnóstico pré-natal ao medir diretamente a enzima galactose-1-fosfato uridil transferase
  • "Substâncias redutoras" na urina do bebê e nível normal ou baixo de açúcar no sangue, enquanto o recém-nascido está sendo alimentado com leite materno ou com leite em pó com lactose.
 

Sintomas de Galactosemia 

Bebês com galactosemia podem desenvolver sintomas nos primeiros dias de vida se consumirem leite materno ou qualquer outro alimento que contenha lactose. Os sintomas podem ser devido a uma infecção grave no sangue com a bactéria E. coli.
  • Convulsões
  • Irritabilidade
  • Letargia
  • Má alimentação (o bebê se recusa a tomar mamadeira com leite em pó)
  • Ganho de peso insuficiente
  • Pele e olhos amarelados (icterícia)
  • Vômitos

Tratamento de Galactosemia 

As pessoas com esse problema devem evitar todo tipo de leite e produtos que contenham leite (inclusive leite em pó), e outros alimentos que contenham galactose por toda a vida. É essencial ler os rótulos dos produtos e ser um consumidor bem informado.
Os bebês podem ser alimentados com:
  • Leite de soja
  • Leites a base de carne ou Nutramigen (fórmula de hidrolisado de proteína)
  • Outro leite sem lactose
Suplementos de cálcio o recomendados. 


Prevenção

Conhecer seu histórico familiar ajuda muito. Se tiver um histórico familiar de galactosemia e desejar ter filhos, o aconselhamento genético ajudará a tomar decisões sobre gravidez e exames pré-natais. Uma vez diagnosticada a galactosemia, o aconselhamento genético é recomendado para outros membros da família. 

Vários estados analisam todos os recém-nascidos para verificar se há galactosemia. Se os pais descobrem que o teste indica uma possível galactosemia, eles devem imediatamente deixar de dar produtos lácteos ao bebê e pedir ao médico um exame de sangue feito para galactosemia.

Fonte: www.minhavida.com.br

Fenilcetonúria

Criaa portadora de fenilcetonúria. Demonstração que a vida, mesmo com limites, manifesta esta alegria.


A fenilcetonúria é caracterizada por uma doença genética recessiva hereditária, relacionada ao cromossomo autossômico 12, com freqüência atingindo aproximadamente uma criaa a cada 12 mil nascimentos, variando de acordo com a população, acometendo em maior número indivíduos de pele clara, sendo muito rara em africanos.

O organismo portador, devido homozigose do alelo alterado para esse gene, expressa má formação ou mesmo ausência da enzima fenilalanina hidroxilase, que cataliza a conversão do aminoácido fenilalanina em tirosina, a partir do acréscimo de grupamento hidroxila (OH).

Essa deficiência provoca distúrbios na síntese de proteínas, causada pela carência de tirosina e acúmulo de fenilalanina no organismo.

Entre as implicações da concentração de fenilalanina, estão relacionados fatores de toxicidade devido à transformação deste aminoácido em: ácido fenil-pirúvico e ácido fenil-lático, substâncias tóxicas que provocam lesões nas células do sistema nervoso central, causando atraso no desenvolvimento psicomotor (locomoção e comunicação), hiperatividade e convulsões.

 Causas

A fenilcetonúria é hereditária, isto é, passa de pais para filhos. O pai e a mãe devem passar o gene defeituoso para que o bebê tenha essa doença. Isso é conhecido como traço recessivo autossômico.
Os bebês com PKU não possuem uma enzima chamada fenilalanina hidroxilase, necessária para quebrar um aminoácido essencial denominado fenilalanina. Essa substância é encontrada em alimentos que contêm proteínas.
Sem essa enzima, os níveis de fenilalanina e de duas substâncias associadas a ela crescem no organismo. Tais substâncias são prejudiciais ao sistema nervoso central e causam dano cerebral. 

Exames 


A fenilcetonúria pode ser fácilmente detectada em um simples exame de sangue. Em todos os estados brasileiros, o exame de triagem para PKU (ou fenilcetonúria), chamado teste do pezinho, é exigido para todos os recém-nascidos como parte do painel de triagem. O teste normalmente é realizado por meio da retirada de algumas gotas de sangue do bebê antes da saída dele do hospital.


Tratamento

O tratamento mais eficiente para fenilcetonúria é uma dieta especial, que ajuda a controlar a quantidade de fenilalanina consumida (alguma fenilalanina é necessária para o crescimento e desenvolvimento). Pessoas com fenilcetonúria que seguem essa dieta a partir do nascimento, ou logo depois, se desenvolvem normalmente e freqüentemente não apresentam sintomas.

Frank Lentini, o tripé humano

Frank Lentini tinha literalmente 3 pernas. Ele nasceu em 1889 em Siracusa (Sicília) em uma família com onze filhos. Foi levado por sua tia, ainda bebê, para uma orfanato de inválidos, depois que seus pais recusaram-se a reconhecê-lo como filho.


Lentini nasceu com três pernas, dois órgãos genitais e um pé no joelho da terceira perna. Assim, no total, ele tinha três pernas, quatro pés, dezesseis dedos dos pés, e dois órgãos genitais funcionais que eram tudo o que restou de um gêmeo parasita.

Os médicos decidiram pela não remoção dos órgãos pois poderia resultar em paralisia e até a morte. Quando tinha nove anos de idade Frank deixou o orfanato de crianças inválidas na qual viveu certo período e foi levado para os EUA para ser exibido em circos de aberrações.


Trabalhou no Ringling Brothers Circus fazendo um espetáculo de grande sucesso chamado "O Jogador de Futebol de Três Pernas". O que mais atraia o público era a maneira desengonçada de Frank ao se locomover com a bola, devido à diferença de comprimento entre suas três pernas.


Apesar das adversidades, Frank nunca foi uma pessoa ressentida com sua deformidade, ele se mostrava orgulhoso por sua terceira perna e via nessa condição uma vantagem e não uma infelicidade. Estranhamente a única coisa que o incomodava em seu corpo era um dedo polegar extra que apareceu em um joelho de uma de suas pernas, Frank sempre procurou esconder esse dedão.


Em 1930 Frank Lentini se tornou oficialmente um cidadão americano, nessa mesma década conheceu Thereza Murray, paixão fulminante que terminou em casamento que gerou quatro filhos.

Foi reconhecido como um exímio jogador e conseguiu ganhar algum dinheiro com suas apresentações para os atletas das ligas de futebol. Seus filhos o descreveram como um pai presente, atencioso e muito amoroso, mas que no fundo sempre carregou certa tristeza por ter sido um dia rejeitado por seus próprios pais.


Lentini morreu na sua casa em Jacksonville, Flórida no dia 22 de setembro de 1966.


segunda-feira, 2 de julho de 2012

Síndrome de Cornélia de Lange


Síndrome caracterizada por retardo do crescimento, retardo mental severo, baixa estatura um choro tipo rosnar baixo, braquicefalia, orelhas pequenas, pescoço em cadeia, boca de carpa, ponte nasal diminuída, sobrancelhas atrofiadas se encontrando no meio, hirsutismo e malformações das mãos. Esta condição pode ocorrer esporadicamente ou estar associada com um padrão de herança autossômica dominante ou duplicação do braço longo do cromossomo 3.

Características
 
Recém-nascidos pequenos, com baixo peso, apresentam uma microcefalia e características faciais particulares, que se misturam com os traços herdados da sua própria família. Têm as sobrancelhas unidas, as pestanas longas, o nariz pequeno, a cara redonda, os lábios finos e ligeiramente invertidos.
As mãos e os pés são pequenos, o quinto dedo está geralmente encurvado e, por vezes, as crianças apresentaram uma membrana interdigital entre o segundo e o terceiro dedo dos pés. A síndrome caracteriza-se também pela presença de um atraso de linguagem, deficiência mental, anomalias cardíacas, intestinais, refluxos gastresofágico, problemas visuais e auditivos e dificuldades de alimentação.
As pessoas portadoras desta doença podem registrar uma falta de sensibilidade à dor ou uma sensibilidade táctil mais acentuada.

Diagnóstico

Só depois do nascimento é que se pode identificar a doença. Não há um exame pré-natal que permita detectar prematuramente a síndrome e, por outro lado, mesmo sendo um bebé muito pequeno, ninguém pensa que se trata de Cornelia de Lange.
Por ser extremamente rara, há pediatras que nunca se cruzam com uma criança com esta patologia.

Tratamento

A elevada frequência de dificuldades alimentares e de refluxo gastroesofágico (77%) e a possibilidade de morte por apneia ou por aspiração impõem a observação e o aconselhamento médico precoces no que diz respeito aos cuidados na alimentação e às terapêuticas médica ou cirúrgica necessárias. Quando existem vómitos frequentes e refluxo gastroesofágico importante, devem realizar-se exames imagiológicos. As anomalias cardíacas estão presentes em cerca de 13-29% dos doentes pelo que devem ser avaliadas nos indivíduos com este síndrome, assim como as anomalias renais.O risco acrescido de otites crónicas e de perda de audição deve ser tido em conta antecipadamente de forma a poderem ser tomadas medidas para a melhoria das capacidades de comunicação. Outras medidas preventivas devem ser realizadas nomeadamente: sumária de urina para o despiste de infecções urinárias; cuidados de saúde oral adequados para a detecção e correcção de anomalias dentárias; e terapêuticas ocupacional ou física para minimizar as alterações articulares. Em crianças em idade escolar, é frequente haver alterações cognitivas (75-100%) e do comportamento (57%). A avaliação da puberdade é especialmente importante nos indivíduos do sexo masculino com hipogonadismo. Pode haver um défice da hormona de crescimento. Os indivíduos mais velhos devem ser sujeitos a avaliações regulares da audição e da visão. 


Síndrome de Treacher Collins

 A síndrome de Treacher Collins é um distúrbio do desenvolvimento craniofacial de herança autossômica dominante. Sua incidência é baixa, de aproximadamente um nascimento em cada 50 mil. A síndrome se caracteriza por várias alterações na face: inclinações anti-mongolóides das fendas palpebrais, malformações da pálpebra inferiro (coloboma), hipoplasia (pouco crescimento) do terço médio da face, micrognatia e malformações das orelhas (externas e/ou internas). O quadro clínico é muito variável, havendo casos com apenas discreta alteração do formato dos olhos enquanto outros apresentam todos os sinais clínicos da doença. O gene associado a essa síndrome, denominado TCOF1 (Treacher Collins-Franceschetti syndrome 1), está mapeado no cromossomo 5, em 5q32. Estima-se que 60% dos casos de Treacher Collins sejam resultantes de uma nova mutação; os restantes são herdados.
 

Quadro clínico

O fenótipo apresenta grande variabilidade na Síndrome de Treacher Collins, na mesma família e entre famílias. As características clínicas mais comuns são:

a) inclinação anti-mongolóide das fissuras palpebrais, associadas ou não a colobomas (malformações congênitas com ausência de estruturas oculares devidas a defeitos na embriogênese) da pálpebra inferior;

b) hipoplasia malar;

c) micrognatia (mandíbula de dimensões inferiores ao normal), sendo freqüente a ocorrência de palato fendido e macrostomia (largura exagerada da boca);

d) hipoplasia do pavilhão auditivo (microtia), freqüentemente associada à atresia do canal auditivo e malformação dos ossículos do ouvido médio, o que pode resultar em surdez condutiva.

Existem outras síndromes genéticas, tais como as síndromes de Goldenhar, de Miller e de Nager, cujas características podem ser confundidas com as da síndrome de Treacher-Collins, sendo importante fazer o diagnóstico diferencial para cada uma dessas síndromes.

 


 
Identificação de mutações no gene TCOF1

 
O gene TCOF1 contém 26 éxons, segmentos ou partes da seqüência codificadora de um gene, que são os elementos que compõem as proteínas, e produz uma proteína chamada treacle, cuja função está associada à transcrição dos genes ribossomais. Já foram descritas mutações ao longo de todo o gene. Na maioria dos casos, as mutações patogênicas são específicas para cada família. A maior parte das alterações em TCOF1 causadoras da síndrome descritas até o momento promove a produção de uma proteína truncada (proteína de menor tamanho resultante de uma finalização prematura na síntese da cadeia polipeptídica). Por isso, propôs-se como causa da síndrome um mecanismo molecular de haplo-insuficiência (situação na qual 50% do nível normal de expressão gênica não é suficiente para seu funcionamento normal).

Os estudos das mutações associadas à síndrome não permitiram o estabelecimento de uma correlação genótipo-fenótipo, portanto nem o tipo nem a posição da mutação na seqüência gênica contribuíram para o entendimento da variabilidade clínica. Algumas hipóteses levantadas para explicar essa variabilidade incluem a atuação de fatores ambientais, mutações em outro(s) gene(s) envolvido(s) no mesmo processo de desenvolvimento embrionário e a presença de variações polimórficas no alelo normal do gene TCOF1.
 

Aconselhamento genético e diagnóstico molecular
 
O padrão de herança é autossômico dominante. Portanto, os portadores da doença têm um risco de 50% de virem a ter descendentes com a síndrome. O teste genético para a detecção de mutações no gene TCOF1 consiste em analisar todos os éxons do gene por meio das técnicas de PCR e SSCP, seqüenciando aqueles que apresentarem variação. A sensibilidade do teste é de 95% para os casos que apresentam sinais clínicos característicos da síndrome.

O teste molecular é importante para confirmar o diagnóstico clínico, mas é particularmente relevante em casos com quadro clínico leve, nos casos em que há dúvidas do diagnóstico e nos casos isolados. O Centro de Estudos do Genoma Humano oferece exames para o diagnóstico da síndrome de Treacher-Collins e também o aconselhamento genético para as famílias dos afetados.