sábado, 30 de junho de 2012

Síndrome de Rett

 A síndrome de Rett é uma doença neurológica que afeta principalmente o sexo feminino (aproximadamente 1 em cada 10.000 a 15.000 meninas nascidas vivas), em todos os grupos étnicos.
Clinicamente é caracterizada pela perda progressiva das funções neurológicas e motoras após um período de desenvolvimento aparentemente normal, que vai de 6 a 18 meses de idade. Após esta idade, as habilidades adquiridas (como fala, capacidade de andar e uso intencional das mãos) são perdidas gradativamente e surgem as estereotipias manuais (movimentos repetitivos e involuntários das mãos), que é característica marcante da doença.

 

Histórico

Em 1954, o pediatra austríaco Andreas Rett (1924-1997) observou, na sala de espera de seu consultório, duas pacientes sentadas lado a lado, que apresentavam sintomas bem parecidos. Revisando os prontuários de seu consultório, verificou que havia mais seis meninas semelhantes àquelas. Isto despertou nele o interesse em estudar aquela doença neurológica e ele deu início à procura por pacientes que apresentavam sintomas semelhantes.

Em 1966, Dr. Rett publicou os resultados de seu estudo inicial sobre esta "nova" doença e nos anos seguintes novos artigos sobre o assunto. Entretanto, seu trabalho teve pouca repercussão, uma vez que seus artigos foram publicados em revistas científicas em alemão.

Paralelamente, a partir da década de 60, o médico sueco Dr. Bengt Hagberg ( nasc. 1923) iniciou um estudo sobre suas pacientes que apresentavam sintomas semelhantes aos descritos pelo Dr. Rett. Embora seus estudos estivessem sendo realizados de forma independente, estes dois médicos haviam relatado a mesma doença e, em 1983, o Dr. Hagberg publicou o primeiro trabalho científico em inglês sobre esta doença e a chamou de síndrome de Rett. A partir deste momento, a comunidade científica de todo o mundo voltou suas atenções para a síndrome de Rett, na tentativa de determinar sua causa.

 

Sintomas

O diagnóstico da síndrome de Rett é baseado na avaliação clínica da paciente e deve ser feito por um profissional habilitado para tal, como neurologistas e pediatras.
Este diagnóstico é feito com base nos critérios diagnósticos estabelecidos, que consistem em:
  • Critérios necessários (presentes em todas as pacientes).
    • desenvolvimento pré-natal (antes do nascimento) e perinatal (pouco tempo depois de nascer) aparentemente normal;
    • desenvolvimento psicomotor normal até os 6 meses de idade;
    • perímetro cefálico (circunferência da cabeça) normal ao nascimento;
    • desaceleração do perímetro cefálico após 6 meses de idade;
    • perda do uso propositado das mãos;
    • movimentos manuais estereotipados (torcer, apertar, agitar, esfregar, bater palmas, "lavar as mãos" ou levá-las à boca);
    • afastamento do convívio social, perda de palavras aprendidas, prejuízos na compreensão, raciocínio e comunicação.
  • Critérios de suporte (presentes em algumas pacientes):
    • distúrbios respiratórios em vigília (hiperventilação, apneia, expulsão forçada de ar e saliva, aerofagia);
    • bruxismo (ranger os dentes);
    • distúrbios do sono;
    • tônus muscular anormal;
    • distúrbios vasomotores periféricos (pés e mãos frios ou cianóticos);
    • cifose/escoliose progressiva;
    • retardo no crescimento;
    • pés e mãos pequenos e finos.
  • Critérios de exclusão (ausentes nas pacientes):
    • órgãos aumentados (organomegalia) ou outro sinal de doenças de depósito;
    • retinopatia, atrofia óptica e catarata;
    • evidência de dano cerebral antes ou após o nascimento;
    • presença de doença metabólica ou outra doença neurológica progressiva;
    • doença neurológica resultante de infecção grave ou trauma craniano.

 

Evolução clínica.

De acordo com a evolução e sintomas, a síndrome de Rett é classificada em duas formas:
  1. clássica;
  2. atípica.
Na forma clássica, o quadro clínico evolui em quatro estágios definidos:
  • Estágio 1 - de 6 a 18 meses de idade.
    • ocorre desaceleração do perímetro cefálico (reflexo do prejuízo no desenvolvimento do sistema nervoso central);
    • alteração do tônus muscular (às vezes parece "molinha");
    • a criança interage pouco (muitas são descritas como crianças "calmas") e perde o interesse por brinquedos.
Neste estágio, os primeiros sintomas da doença estão surgindo, mas muitas vezes nem são percebidos pelos pais (especialmente se são "marinheiros de primeira viagem") ou pelos médicos (muitos deles desconhecem a síndrome de Rett).
  • Estágio 2 - de 2 a 4 anos de idade.
    • ocorre regressão do desenvolvimento;
    • inicia-se a perda da fala e do uso intencional das mãos, que é substituído pelas esteretipias manuais;
    • ocorrem também distúrbios respiratórios, distúrbios do sono (acordam à noite com ataques de risos ou gritos);
    • manifestações de comportamento autístico.
  • Estágio 3 - de 4 a 10 anos de idade.
    • a regressão é severa neste estágio e os problemas motores, crises convulsivas e escoliose são sintomas marcantes.
    • há melhora no que diz respeito à interação social e comunicação (o contato visual melhora), elas tornam-se mais tranquilas e as características autísticas diminuem.
  • Estágio 4 - a partir dos 10 anos de idade.
    • caracterizado pela redução da mobilidade, neste estágio muitas pacientes perdem completamente a capacidade de andar (estágio 4-A), embora algumas nunca tenham adquirido esta habilidade (estágio 4-B);
    • escoliose, rigidez muscular e distúrbios vasomotores periféricos são sintomas marcantes;
    • os movimentos manuais involuntários diminuem em frequência e intensidade;
    • a puberdade ocorre na época esperada na maioria das meninas.
Nas formas atípicas, nem todos os sintomas estão presentes e os estágios clínicos podem surgir em idade bem diferente da esperada.

Algumas doenças neurológicas compartilham sintomas com a síndrome de Rett e isto pode dificultar o diagnóstico clínico especialmente nos primeiros estágios da forma clássica (ou no caso de formas atípicas). Quando os primeiros sintomas da síndrome de Rett estão surgindo, muitas pacientes são diagnosticadas de forma equivocada como autistas, por exemplo. É importante que os profissionais de saúde estejam atualizados e conheçam sobre a síndrome de Rett para que sejam capazes de realizar o diagnóstico diferencial. Uma vez que o diagnóstico precoce facilita o estabelecimento de uma estratégia terapêutica adequada, a INFORMAÇÃO É FUNDAMENTAL.

Embora ainda não tenha sido descoberta a cura da síndrome de Rett, as pacientes que são acompanhadas de forma adequada podem ter uma vida melhor e mais feliz. E TAMBÉM VALE LEMBRAR: a síndrome de Rett não restringe a expectativa de vida das pacientes.

 

Causa

Como falamos no título "Histórico da síndrome de Rett", após a década de 80 foi iniciada a busca pela causa da síndrome de Rett. Várias hipóteses foram propostas para explicar a doença, mas quando vários casos familiares (dentro da mesma família) foram relatados, ficou claro que a doença tinha uma causa genética.
Na década de 90, os pesquisadores estiveram empenhados em descobrir então qual era o gene (um ou vários?) e, no ano de 1999, a equipe chefiada pela Dra. Huda Zoghbi descobriu que a síndrome de Rett é causada por mutações (alterações) em um gene localizado no cromossomo X. Este gene, chamado MECP2 (do inglês methyl-CpG-binding protein 2) - e que nós pronunciamos "mec-pê-dois" - é um gene muito importante no controle do funcionamento de outros genes, desde o desenvolvimento embrionário. Ele codifica (produz) uma proteína (chamada MeCP2) que controla a expressão de vários genes importantes para o desenvolvimento dos neurônios (ou seja, quando e onde estes genes são expressos) em todos os vertebrados. Fazendo uma analogia e simplificando (bastante), a MeCP2 funciona como um dimmer (aquele botão que regula a intensidade da luz) e então podemos explicar a causa da síndrome de Rett da seguinte forma: nas pacientes afetadas pela síndrome de Rett, a MeCP2 não é capaz de funcionar corretamente e todo o desenvolvimento dos neurônios do embrião fica comprometido.
É importante lembrar que mutações no DNA ocorrem em todas as nossa células, ao longo de nossas vidas, todos os dias, sem que possamos saber ou controlar. Portanto, os pais e mães de pacientes afetadas pela síndrome de Rett, assim como pais de pacientes afetados por qualquer doença de origem genética, JAMAIS DEVEM SE SENTIR CULPADOS.

 

Uma ponta de grande esperança

Em 23 de fevereiro de 2007 foi publicado um artigo considerado um dos marcos recentes na pesquisa sobre a síndrome de Rett. O artigo relata os resultados da pesquisa chefiada pelo Dr. Adrian Bird, que demonstrou que os sintomas da síndrome de Rett são reversíveis em camundongos. O trabalho consistiu, resumidamente, no uso de uma linhagem de camundongos geneticamente modificada, que teve um trecho de DNA introduzido na região do gene MECP2, o qual teve sua expressão bloqueada, e por consequência os animais apresentavam sintomas da síndrome de Rett. A remoção deste trecho de DNA foi induzida quando os animais receberam injeções de uma droga chamada tamoxifeno e após algumas semanas eles deixaram de apresentar os sintomas.
Estes resultados causaram grande furor entre os pais de pacientes, pois muitos pensaram que havia sido descoberta uma droga para curar a doença. Na verdade, o tamoxifeno fez parte do protocolo experimental do estudo e não é uma cura.
Assim, o que este trabalho evidenciou foi a reversibilidade dos sintomas da doença em modelos animais. Este foi um estudo preliminar e por isso requer aprofundamento. Até chegar às pesquisas com pacientes será uma longa caminhada. Apesar disso, os resultados obtidos pelo grupo de pesquisa indicam que há uma esperança para o desenvolvimento de terapias que possam restabelecer algumas das habilidades das pacientes e, talvez, levar à cura da síndrome de Rett.

Síndrome do X Frágil

A Síndrome do X Frágil é uma condição de origem genética, considerada a causa mais frequente de comprometimento intelectual herdado. As pessoas afetadas apresentam atraso no desenvolvimento, problemas de comportamento e, eventualmente, características físicas peculiares.
Estima-se que 1 em 2000 homens e 1 em 4000 mulheres sejam afetados pela mutação completa, sendo, na maioria das vezes, os homens mais gravemente afetados do que as mulheres. As características dos portadores da Síndrome do X Frágil vêm sendo observadas há muitos anos em pessoas com atraso de desenvolvimento.

Em 1969 Herbert Lubs, pesquisando uma família onde dois irmãos apresentavam comprometimento intelectual, localizou uma falha (sítio frágil) na região distal do braço longo do cromossomo X destes indivíduos. Nos anos 70, Grant Sutherland estudando a ocorrência do sítio frágil, deu o nome de X frágil a este cromossomo. Foi possível, então, caracterizar o conjunto destes sinais e sintomas e passa a ser usado o nome Síndrome do X Frágil.

Em maio de 1991, três grupos independentes de pesquisadores, na França, Holanda e Austrália, clonam o gene FMR 1. Este é o gene responsável pela Síndrome do X Frágil. Os estudos prosseguem, estando já identificados o X Frágil, nele o gene FMR 1 e a proteína FMRP.

Em 13 de maio de 1997, William Greenough e colaboradores (EUA, Bélgica e Holanda) publicam trabalhos que apontam a proteína FMRP como essencial na maturação das sinapses. A falta da proteína parece apenas atrasar o desenvolvimento dos neurônios, não danificá-los ou destruí-los. Pesquisas atuais investigam caminhos que devem levar a tratamentos mais eficazes e finalmente à cura da Síndrome do X Frágil.

 

Características Físicas

Recém-nascidos não apresentam indícios de aparência física que antecipem uma suspeita precoce da SXF. De forma semelhante a outros quadros clínicos, apresentam macrocefalia (perímetro da cabeça maior que o normal) e hipotonia (baixo tônus muscular), podendo esta revelar-se, por exemplo, na falta de força para sugar na mamada.

Pessoas afetadas pela Síndrome do X Frágil gozam de boa saúde e sua aparência pode ser semelhante à de outras pessoas. Algumas características físicas, entretanto, são frequentes e em geral se tornam mais evidentes após a puberdade:
  • face alongada;
  • orelhas grandes e em abano;
  • mandíbula proeminente;
  • macrorquidia (testículos aumentados), principalmente no adulto.
Podem apresentar ainda, ou somente, um ou vários dos traços abaixo:
  • hipotonia muscular;
  • comprometimento do tecido conjuntivo;
  • pés planos (chatos);
  • hiperextensibilidade das articulações;
  • palato alto;
  • peito escavado;
  • prolapso da válvula mitral;
  • prega palmar única;
  • estrabismo;
  • escoliose;
  • calosidade nas mãos (decorrente do hábito de morder as mãos).

 

Características Intelectuais

Atraso no desenvolvimento é a característica mais significativa das pessoas afetadas pela Síndrome do X Frágil. O comprometimento intelectual é variável, podendo ir desde uma dificuldade de aprendizagem a um retardo grave. Geralmente é acompanhado de atraso na fala e na capacidade de comunicação.
Cada indivíduo pode apresentar muita desigualdade entre suas habilidades cognitivas. Parece incoerente que tenham bom desempenho no aprendizado de alguns tópicos e dificuldade em conceitos às vezes elementares.

Algumas das suas características podem ser bem aproveitadas:
  • excelente memória;
  • facilidade em identificar logotipos e sinais gráficos;
  • geralmente bom vocabulário;
  • facilidade para cópia;
  • habilidade para leitura;
  • uso de jargões e frases de efeito.
As dificuldades estão principalmente na abstração e na integração das informações:
  • seguem instruções "ao pé da letra";
  • podem dar importância a aspectos irrelevantes;
  • fala fora do contexto;
  • fala repetitiva;
  • ecolalia.
Alguns têm prejuízos muito pequenos, com desempenho praticamente normal. Outros têm comprometimentos moderados, mas com atendimentos especializados chegam a bons resultados sociais e funcionais. Os indivíduos com comprometimento grave sempre precisarão de apoio.

 

Comportamento da Pessoa com X Frágil

Pessoas afetadas pela Síndrome do X Frágil geralmente apresentam comportamento diferente da maioria das pessoas. São frequentes as seguintes características:
  • hiperatividade;
  • impulsividade;
  • baixa concentração;
  • ansiedade social;
  • dificuldade em lidar com estímulos sensoriais;
  • imitação;
  • desagrado quando a rotina é alterada;
  • comportamentos repetitivos;
  • irritação e "explosões emocionais"
  • traços de autismo como:
    • agitar as mãos;
    • evitar contato tátil;
    • evitar contato visual.
Nas meninas afetadas estes traços são mais sutis. Nelas a dificuldade de relacionamento social é marcada por timidez acentuada.
Muitas vezes as características comportamentais são os sinais mais sugestivos da necessidade de investigação diagnóstica. Em geral são pessoas dóceis, que cativam os que convivem com elas. É comum encontrar terapeutas e professores que torcem por eles e vibram a cada conquista. A mesma simpatia costumam encontrar entre os funcionários que participam de sua rotina em casa, na escola, no comércio...

 

Diagnóstico

As pessoas com a Síndrome do X Frágil, na maioria das vezes, não são identificadas pelas suas características clínicas. Portanto, o teste laboratorial para diagnóstico da síndrome está indicado sempre que a pessoa tiver comprometimento intelectual de causa desconhecida, seja menino ou menina.
O diagnóstico é realizado pelo estudo do DNA para detectar a Síndrome do X Frágil. É feito através de amostra de sangue, analisada em laboratório de genética. Este teste identifica tanto portadores de pré-mutação como de mutação completa.
Exame citogenético (cariótipo) pode diagnosticar a Síndrome do X Frágil mas, tendo em vista a possibilidade de resultado falso negativo neste teste, ele não é definitivo quando o resultado é negativo. Além disto, exames citogenéticos não identificam portadores da pré-mutação. Se o resultado do teste for positivo, deve-se procurar aconselhamento genético.
Quando se sabe que um membro da família é portador da síndrome, os outros familiares devem ser testados. Mulheres que pretendem engravidar devem fazer o teste, se qualquer membro da família apresentar traços característicos do X Frágil. O planejamento familiar precisa considerar os riscos de transmissão do gene alterado. O diagnóstico pré-natal já pode ser realizado. O estudo do DNA das células das vilosidades coriônicas, permite o diagnóstico de fetos portadores da mutação completa no primeiro trimestre de gestação.
Só o diagnóstico conclusivo permite definir estratégias de atendimento mais adequadas para o desenvolvimento dos indivíduos afetados pela Síndrome do X Frágil. Aspectos sociais e de saúde pública são relevantes e confirmam a necessidade de diagnóstico preciso e precoce. Na Síndrome do X Frágil prevenção é o melhor tratamento.

 

Genética

Todos os seres humanos são formados por células. No interior destas células há um conjunto de estruturas denominadas cromossomos onde se encontram os genes que definem nossas características. O número de cromossomos presente nas células de uma pessoa é 46 (23 do pai e 23 da mãe), e estes se dispõem em pares, formando 23 pares. Destes, 22 pares são semelhantes em ambos os sexos. O par restante compreende os cromossomos sexuais, de morfologia diferente entre si, que recebem o nome de X e Y. No sexo feminino existem dois cromossomos X (um recebido do pai e outro da mãe) e no masculino existem um cromossomo X e um Y ( X recebido da mãe e Y do pai).

A Síndrome do Cromossomo X Frágil é causada pela mutação do gene denominado FMR 1, localizado no cromossomo X. O cromossomo X apresenta uma falha na porção subterminal de seu braço longo (Xq27.3) quando suas células são cultivadas em condições de deficiência de ácido fólico ou que afetem o metabolismo das bases nitrogenadas necessárias para a síntese do DNA, Esse cromossomo é denominado X frágil - fra(X).

Nem todas as células do afetado mostram o fra(X), o que exige a análise de pelo menos 100 células, após o cultivo dos linfócitos em condições que induzam o aparecimento da falha, para que se possa afastar ou estabelecer o diagnóstico com segurança.

O mecanismo da mutação é a variação do número de cópias de uma repetição instável de trinucleotídeos - CGG (Citosina-Guanina-Guanina), na extremidade 5 do gene FMR 1. A mutação acontece em etapas, ao longo das gerações. Às primeiras dessas etapas dá-se o nome de pré-mutação.

Nos indivíduos normais da população o número de cópias desta sequência de CGG varia de 6 a 50 Na mutação completa o número de repetições é superior a 200, podendo chegar a milhares de trinucleotídeos. Indivíduos com mutação completa são portadores da Síndrome do X Frágil.

Um número intermediário, entre 50 até 200 repetições caracteriza a pré-mutação e esses indivíduos em geral não apresentam sintomas. As estatísticas indicam que 1 em 250 mulheres e 1 em 700 homens são portadores da pré-mutação. A pré-mutação pode passar por várias gerações até que se transforme numa mutação completa e apareça uma criança afetada.

Estudos indicam que o número de repetições de trinucleotídeos tende a aumentar a cada geração, principalmente quando transmitida por uma mulher. Sendo assim,o risco para a prole de mulheres portadoras da pré-mutação é maior a cada geração. Em pessoas afetadas o gene FMR 1 fica inativo, comprometendo a produção da proteína FMRP, cuja função exata ainda está sendo investigada.
Nas mulheres o quadro clínico é, em geral, menos grave provavelmente pela compensação do segundo cromossomo X. A pré-mutação, quando transmitida por uma mulher, pode sofrer modificação, ficando ainda como pré-mutação ou transformando-se numa mutação completa.

O pai portador passa o gene alterado para todas as suas filhas, mas não para os seus filhos. Os homens com a pré-mutação a transmitem para suas filhas com o número de repetições praticamente sem alteração.

 

Tratamentos

Atualmente diversos centros de pesquisa investigam as causas e possíveis soluções para a Síndrome do X Frágil:
  • a terapia genética estuda a possibilidade de inserir no cromossomo X um gene perfeito, substituindo o gene FMR 1 alterado;
  • na terapia de reposição, a proteína FMRP viria de uma fonte externa;
  • estudos recentes buscam a possibilidade de reativar o gene FMR 1;
  • a psicofarmacologia focaliza o uso de medicamentos mais específicos para atenuar ou eliminar os sintomas da síndrome.
Terapias especiais e estratégias de ensino podem ajudar as pessoas afetadas a melhorar o seu desempenho, facilitando a conquista da independência que lhe for possível.

As crianças devem ser acompanhadas por neurologista, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional e outros profissionais tanto da saúde como da educação. As áreas de atendimento especializado são definidas de acordo com cada indivíduo e devem ser revistas ao longo de seu desenvolvimento.

Educadores e terapeutas devem: minimizar estímulos que não sejam tão importantes naquele momento; dividir as atividades em blocos de acordo com seu tempo de atenção; reduzir a necessidade de contato visual e informar a criança sobre mudanças na sua rotina.

A dificuldade em lidar com estímulos excessivos pode levar a comportamentos inadequados como agitar as mãos, fala repetitiva e irritação, mesmo em situações em que suas habilidades cognitivas são suficientes para um bom desempenho.

O uso do computador tem sido muito eficiente para realizar atividades educativas: tem a vantagem de apresentar inúmeras vezes a atividade desejada, não requer a constante interação com outra pessoa, e possibilita ir além da proposta inicial quando houver interesse.

Pessoas afetadas pela Síndrome do X Frágil tendem a imitar, portanto é imprescindível que se dê um modelo adequado. Eles sentem-se bem quando a rotina é seguida, aproveite e estabeleça uma rotina que lhes traga benefícios. É certo que não podem ser exigidos além de seu potencial, mas temos verificado que este potencial em geral é maior do que imaginávamos.


Fonte: www.bengalalegal.com

Síndrome XYY (Duplo Y)


A síndrome do duplo Y é uma aneuploidia dos cromossomas sexuais, onde um humano do sexo masculino recebe um cromossomo Y extra em cada célula, ficando assim com um cariótipo 47,XYY. Devido a não disjunção durante a meiose II paterna, o cromossomo Y transporta relativamente poucos genes, os portadores de um Y suplementar não apresentam anomalias físicas relevantes ou produz um fenótipo discernível. Também é designada como: Trissomia XYY, Aneuploidia 47,XYY ou Síndrome do super-macho.

A síndrome foi descoberta em 1961 por Sandberg, nos EUA. O paciente tinha 44 anos, inteligência não inferior a média, constituição robusta e nenhuma anomalia física.
Em 1965 a sindrome despertou interesse quando publicados dados referentes a um estudo realizado em um manicômio criminal, por Patrícia Jacobs. De 197 com QI abaixo do normal, sete eram portadores de XYY, e de 119 doentes mentais, dois eram portadores.
Em 1968, um jovem francês (Daniel Hugon) é, condenado por homicídio não premeditado porem sua pena foi diminuida, a trissomia XYY entrava pela primeira vez em um tribunal.
Em 1968 encerra-se o processo contra L. E. Hannel, acusado tambem de assassinato, foi inocentado por apresentar no cariótipo um Y suplementar.

A freqüência dessa anomalia é de uma ocorrência em cada mil nascimentos. Cerca de 2 a 3% dos delinqüentes e doentes mentais têm no seu cariótipo um cromossoma Y a mais, porem o comportamento agressivo raramente constitui motivo de grande preocupação, uma vez que estes indivíduos aprendem a controlar-se.

A incapacidade de avaliar o prognóstico em cada caso torna identificação de um feto XYY um dos problemas de informação mais sérios enfrentados em programas de diagnóstico pré-natal. O diagnóstico pós-natal geralmente coincide com uma outra queixa
clínica não relacionada.

Aspectos Clínicos

Desenvolvimento e crescimento: Ao nascimento, em geral, não apresentam anormalidades maiores, podendo haver apenas um leve aumento na ocorrência de malformações. A estatura e o peso ao nascimento são inalterados. Durante o primeiro ano de vida, os bebês desenvolvem-se normalmente, no início da infância, alguns meninos apresentam um crescimento acelerado, na adolescência o início da puberdade dá-se com um atraso de 6 meses em média ,porém o desenvolvimento dos caracteres sexuais transcorre normalmente.

Inteligência: Podem apresentar um déficit de inteligência, com grande variação de QI menor que nos homens XY, dificuldades de linguagem, aprendizagem e educação, 50% requer educação especial, a maioria envolvendo problemas persistentes de leitura, hiperatividade, distração e crises de fúria.

Personalidade e aspectos psicológicos: Infantilismo, pouco controle emocional, aumento da impulsividade, agressividade e distúrbios psicológicos.
Fertilidade: Regular , os filhos geralmente são normais

Diagnóstico: é confirmado por análise cromossômica, revelando um cariótipo
47,XYY.
Doenças observadas: leucemia, linfomas, criptorquidia e hipospádias.
Tratamento: Não existe tratamento para esta anomalia genética. No entanto, indivíduos portadores de 47-XYY com distúrbios psicológicos podem receber apoio psicológico durante o seu desenvolvimento

Características

  • Apresentam altura média de 1,80m;
  • Grande número de acne facial durante a adolescência;
  • Anomalias nas genitálias;
  • Distúrbios motores e na fala;
  • Taxa de testosterona aumentada, o que pode ser um fator contribuinte para a inclinação anti-social e aumento de agressividade;
  • Imaturidade no desenvolvimento emocional e menor inteligência verbal, fatos que podem dificultar seu relacionamento interpessoal;
  • Crescimento ligeiramente acelerado na infância;
  • QI ligeiramente abaixo do normal;
  • Problemas no aprendizado e na leitura;
  • Volume cerebral reduzido;
  • Dentes grandes;
  • Glabela saliente;
  • Orelhas mais longas que o normal;
  • Mãos e pés mais compridos. 

Fonte:  duploy.blogspot.com.br

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Síndrome do Triplo X (Trissomia do Triplo X)


 
Não-disjunção
A trissomia do triplo X é uma anomalia cromossómica numérica, isto é, é uma alteração ao nível do genoma normal de um indivíduo, com a adição de um cromossoma sexual X extra. São resultantes de uma não disjunção no momento da meiose tanto materna como paterna.
A trissomia do X (47, XXX) ou síndrome do triplo X só ocorre em mulheres, sendo elas reconhecidas assim, como super fêmeas. As portadoras dessa doença genética são fenotipicamente normais, não apresentando assim nenhuma diferença ou aberração na sua aparência física. Nas células 47, XXX, dois dos cromossomas X são inactivados e de replicação tardia.
A síndrome do triplo X é uma aberração cromossómica numérica que atinge 1 em cerca de 800 a 1.000 mulheres.

Classes de trissomias do triplo X:
Como sugere o nome, a anomalia confere ao portador um ou mais cromossomas X extra. Existem três tipos principais de ocorrência desta anomalia:
  • 47,XXX. é a mais comum (1:1000-2000);
  • 48;XXX, possuem um retardamento mental mais acentuado;
  • 49,XXXXX, possuem as mesmas características dos triplo e tetra X. Porém como é penta X, possuem um retardamento mental mais acentuado, pois quanto maior o número de X maior será o retardamento mental. 

 



 Sintomas e modificações
Algumas pacientes podem ter convulsões epilépticas. Num lar para pacientes epilépticos, 2 de 209 pacientes tinham o cariótipo XXX. Não se pode determinar definitivamente o quanto o cariótipo XXX aumenta a propensão a psicoses, mas alguns autores avaliam a taxa de psicoses tipo esquizofrenia como sendo aumentadas três vezes.
Os estudos de acompanhamento mostraram que as mulheres XXX sofrem as alterações da puberdade numa idade apropriada, mas há relatos de puberdade precoce em certas pacientes. Algumas deram à luz crianças, e estas são praticamente todas cromossomicamente normais. Há diversos significativo do desempenho em testes de QI, e cerca de 70% dos pacientes têm problemas de aprendizagem graves.
As mulheres portadoras dessa síndrome apresentam um cromossoma X a mais, apresentando um cariótipo com 47 cromossomas: 47 XX X. Quase todos os erros relacionados à essa síndrome ocorrem durante a ovulogénese pela não disjunção dos cromossomas. Quanto mais cromossomas X a mulher possuir, maior será o índice de retardo mental que ela possuirá. Também conhecida como Síndrome de Jacob, a síndrome do triplo X tem como característica não demonstrar sintomas. As mulheres portadoras podem dar origem a crianças perfeitamente normais. As crianças que possuem essa doença não apresentam os sintomas logo após o nascimento, mas podem apresentar baixo peso. Esta síndrome só ocorre em mulheres, nas quais são fenotipicamente normais, não apresentando assim, nenhuma diferença na sua aparência física.

Testes de diagnóstico
Algumas mulheres com trissomia do X são identificadas em clínicas de infertilidade e outras em instituições para retardados mentais, mas provavelmente muitas permanecem sem diagnóstico.


Curiosidades
  • A trissomia do X e as síndromes mais raras de tetrassomias do X (48,XXXX) e pentassomia do X (49,XXXXX) são os equivalentes na mulher da síndrome de Klinefelter masculina.
  • A síndrome de tetrassomia do X está associada a atraso mais grave do desenvolvimento físico e mental, e a síndrome de pentassomia do X, assim como o XXXXY, geralmente inclui grande retardo do desenvolvimento com múltiplos defeitos físicos que lembram a síndrome de Down.
  • A primeira mulher conhecida com a trissomia do triplo X chamava-se Patrícia A. Jacobs no hospital de zona oesta de Edinburgh na Escócia, no ano de 1959. Foi encontrada aos seus 35 anos de idade, medindo 1,76 metros e pesando 58 kg, esta mulher tinha ovulação prematura aos 19 anos de idade. Na data da sua concepção os seus pais tinham ambos 40 anos de idade, o que pode explicar o aparecimento desta não-dinjunção cromossômica. 

Fonte: mutacoesgeneticas.blogs.sapo.pt

terça-feira, 26 de junho de 2012

Síndrome de Warkany


A síndrome de Warkany ou trissomia 8 é uma anomalia cromossômica, descoberta pelo pediatra austríaco-estadunidenseJoseph Warkany. 
A trissomia simples do 8 é fatal, levando o feto ao aborto espontâneo. Os indivíduos sobreviventes apresentam a trissomia na forma de mosaicismo.   

Caracteristicas

A síndrome de Warkany se caracteriza pelo comprometimento do desenvolvimento das estruturas mentais, conformação facial relativamente comum entre os portadores, rótulas ausentes ou displásicas, contrações espasmódicas, sulcos nas plantas dos pés e nas palmas das mãos o que provoca a postura distintiva anormal do dedo do pé, anomalia vertebral, pélvis estreito, anomalias ureteral-renal, ou outras anomalias.

Fonte: www.tiosam.org


Síndrome de Marfan

A síndrome de Marfan ou Aracnodactilia, é um disturbio genético e hereditário, que se caracteriza pelos membros do corpo (pernas e braços) muito longos. Também há o comprometimento de outras estruturas do organismo como o esqueleto, os olhos, o aparelho cardiovascular e os pulmões, atingindo também o sistema nervoso central. Foi o pedriatra frencês Antoine Marfan quem primeiro descreveu a síndrome no ano de 1896, daí seu nome.

Síndrome de Marfan
Síndrome de Marfan

Causas e Incidência

A síndrome de Marfan é uma sindrome genética e é hereditária, assim se um dos pais possuir a síndrome a possibilidade dos filhos apresentarem o mesmo problema é de 50%, no entanto também pode aparecer em pacientes sem diagnósticos familiares, como uma mutação espontânea, iniciando assim uma nova cadeia. A taxa de incidência da doença é de 1/10.000, ou seja, atinge uma pessoa num universo de 10 mil pessoas.

Genética

Sintomas e Diagnostico

A Síndrome de Marfan tem vários sintomas e problemas esqueléticos e de saúde que caracterizam o diagnóstico, no entanto suas principais características são uma estrutura corporal alta, com os braços compridos e os dedos como de aranhas, daí o nome aracnodactilia, além de alterações na caixa do tórax. Também é muito frequente os problemas oculares e cardiovasculares, com especial importância para a incidência de aneurismas e as dissecações da artéria aorta. Os sintomas que definem o diagnóstico são primeiramente os antecedentes familiares.

Doença

A estrutura do corpo, altura, braços, mãos e formato do tórax, escoliose, problemas visuais e descolamento da retina, pé chato, problemas na arcada dentária, rosto fino e delgado, dificuldade ou até incapacidade de aprendizagem com conseqüentes problemas escolares, mandíbula pequena e hipotonia são exemplos. Como se pode perceber as principais manifestações da Síndrome de Marfan acontecem em três áreas bastante distintas do corpo humano, na estrutura esquelética, no sistema cardiovascular e nos olhos, e essa peculiaridade recebe o nome de pleiotropia.

Imagens

Tratamento

Não existe uma tratamento que cure esta doença, existem sim, uma série de tratamentos para cada um dos problemas que a síndrome de Marfan desencadeia. Assim os problemas visuais devem ser tratados e corrigidos quando for possível, o desenvolvimento da escoliose deve merecer atenção especial durante a adolescência. Esses pacientes devem ser submetidos a tratamento com uma equipe multiprofissional, onde além dos médicos especialistas devem estar presentes fisioterapeuta, cardiologista e também psicólogo.

Características

A maior preocupação no tratamento deve se concentrar nos problemas cardiovasculares, que requer cuidados especiais pelos altos riscos à saúde que representam, diminuindo muito a expectativa e a qualidade de vida desses pacientes. Mulheres com síndrome de Marfan podem ter filhos, mas há um grande risco nesta gestação que, portanto deve ser monitorados em tempo integral. Não há prevenção contra a síndrome de Marfan, no entanto pessoas que tem histórico familiar da doença, deverias consultar um geneticista antes de programar uma gravidez.

Síndrome Cri-Du-Chat (Síndrome do Miado de Gato)


424780 381851 tessa 1 6 n Síndrome do miado do gato: o que é
Tessa, 6 anos, possui a síndrome do miado do gato.

A síndrome de Cri Du Chat, também conhecida como “síndrome do miado do gato” é um problema genético, congênito (que nasce com o indivíduo). Seus sinais e sintomas são causados por um apagamento de uma parte significante do material genético do braço curto de um dos pares do cromossomo 5. Essa condição genética é considerada relativamente rara, com incidência calculada de 1 para 50.000 mil nascimentos.
Na maioria dos casos, acredita-se que o problema ocorra durante o desenvolvimento do óvulo ou do esperma. Porém, uma pequena quantidade dos casos resulta da transmissão de um rearranjo de cromossomos 5 da mãe para o bebê, chamado de “translocação”. Em 1% dos casos a síndrome cursa com retardo mental grave.

Características dos portadores

Bebês: 
  • Choro alto e longo ao nascer;
  • O choro dos recém-nascidos faz lembrar o miado de um gatinho;
  • Baixo peso ao nascer;
  • Cabeça pequena (microcefalia);
  • Rosto redondo;
  • Olhos espaçados;
  • Ponte nasal baixa;
  • Desenvolvimento retardado. 
424780 1zfrc0p Síndrome do miado do gato: o que é
Crianças portadoras da síndrome apresentam olhos espaçados, ponte nasal baixa e cabeça pequena.

Crianças e adultos: 
  • Baixa estatura;
  • Peso inadequado;
  • Queixo pequeno;
  • Mandíbula pequena;
  • Redução da força muscular;
  • Retardo mental;
  • Possui uma única linha na palma da mão;
  • Orelhas abaixo da linha do nariz;
  • Dobras de pele em cima da pálpebra superior;
  • Dedos compridos;
  • Apresentam dificuldade para sugar, chupar.

Problemas associados
  • Problemas visuais moderados;
  • Perda de parte da audição;
  • Anormalidades no esqueleto;
  • Infecções respiratórias;
  • Infecções no ouvido;
  • Doenças cardíacas;
  • Paladar afetado;
  • Má formação dos rins ou até mesmo ausência;
  • Músculos do abdome separados.

Dificuldades apresentadas pelos portadores
  • Dificuldade de aprendizado (de médio a severo);
  • Demoram a andar (geralmente entre 2 a 6 anos de idade);
  • Possuem dificuldades de se alimentar (por ter problemas em sugar, chupar, mastigar, engolir e por possuírem refluxo gástrico);
  • Na maioria dos casos, a criança demora muito tempo para desenvolver a fala, algumas nunca conseguem falar, sendo necessário usar linguagem de sinais para se comunicar.

Como tratar a doença

Não existe cura reconhecida até o momento para essa doença. Porém o tratamento consiste em ajudar os portadores a se desenvolverem da melhor forma possível, e a se integrarem na sociedade. A intervenção consiste no tratamento com fonoaudiólogos, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais.



CARIÓTIPO NORMAL



CARIÓTIPO CRI-DU-CHAT


As crianças com Síndrome do Miado do Gato necessitarão também de vários equipamentos como cadeiras especiais; talheres e tigelas adaptados; adaptações nos banheiros; armação para ficarem em pé; adaptações no quarto e na cama para se manterem seguros durante à noite. Sendo assim, o ideal é estimular o desenvolvimento e manter a qualidade de vida dos mesmos.

sábado, 16 de junho de 2012

Memorial

Jefferson Luan dos Santos nascido a 10 de Setembro de 1995, na região Nordeste, em Natal, Rio Grande do Norte. A minha infância revelei-me ser muito inteligente; em casa costumava observar meus pais no modo de agir, estudando bastante. Meu pai se chama Josafá barbosa dos Santos, trabalha em Natal como Policial Militar e minha mãe se chama Luciene Maria da Silva Santos, trabalha em Natal como Recepcionista. 
  Quando eu era pequeno, gostumava brincar com meus amigos na praça e conversar. Hoje percebo que a vida tem seus momentos de tristezas e alegrias. Há momentos que passo por dificuldades na minha família, e há também momentos de alegrias e felicidades. 
   Eu costumo nas horas vagas estudar e ensinar química. Matéria que me dedico a cada dia mais aprender e repassar meus conhecimentos aos meus colegas e amigos. Hoje sou uma pessoa totalmente diferente do que eu era antes, pois percebo que a cada dia vou adquirindo mais conhecimentos e descobrindo novas portas para o futuro.
   Também sou muito feliz, porque as pessoas mais importantes que tenho hoje são meus pais, que sempre me apoiam e estão do meu lado pro que der e vier. Nas horas mais difíceis da minha vida. Sempre me dando a maior força para estudar e nunca desistir dos meus sonhos e objetivos. E meu maior sonho é conseguir ser aprovado na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em química. 
   Hoje tenho 16 anos, estou cursando o último ano escolar, na Base Aérea de Parnamirim; e é um prazer imenso de estudar com meus colegas que a cada dia que passa se esforçam para ser o melhor. 
   Eu vejo o mundo de hoje, cheio de desafios que todo dia alguém tem uma luta pessoal que tenta vencer, uma paixão para ser nutrida, um motivo para sorrir e um motivo para chorar, todos sem exceção tentando justificar suas vidas, alguns vivendo o que acreditam e outros vivendo o que outros gostariam que vivessem. E o grande desafio é esse, viver cada dia e aceitar o dia sendo o que nós esperávamos ou não, e trabalhar para ser o que desejamos ser.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Síndrome de Spoan

Uma doença misteriosa atinge, há cerca de 200 anos, os moradores de Serrinha dos Pintos, no sertão do Rio Grande do Norte. Alguns bebês nascem com os "olhos tremidos" -não conseguem fixar o olhar em um ponto. Por volta dos sete anos, essas crianças começam a perder o movimento das pernas. Na adolescência, a paralisia chega aos braços. 

Tudo começou, segundo dizem na região, com o velho Maximiniano, que chegara a Serrinha para casar com a filha de Pedro Queiroz: dona Antônia. Mulherengo, contraíra sífilis. Não bastasse isso, assim que se viu viúvo, casou com uma sobrinha de Antônia. Desde então, a tal sífilis se instalara no sangue da família, que cresceu e virou uma cidade onde todos são, em maior ou menor grau, parentes. 

Recém-descoberta por pesquisadores do Centro de Estudos do Genoma Humano e do Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo), a doença ganhou um nome científico: Spoan -sigla em inglês que significa paralisia rígida, atrofia ótica e morte do tecido nervoso periférico. 

A síndrome foi descrita na edição de maio da revista "Annals of Neurology", publicação da associação americana de neurologia.
Na região de Serrinha, foram identificados 26 casos da doença, sendo 22 na própria cidade. Ainda não há registros em nenhum outro lugar do mundo, embora cientistas da Holanda e da Bélgica tenham procurado os pesquisadores para relatar outros casos. 

De acordo com Mayana Zatz, coordenadora do estudo, a síndrome é causada por um gene defeituoso, resultado de uma mutação. Por não ser um gene dominante, ele pode ficar ao lado de um gene saudável e passar despercebido por várias gerações. Entretanto, quando alguém recebe tanto do pai como da mãe o gene alterado, a síndrome aparece. 

Como em Serrinha o casamento entre parentes é bastante comum, a chance de dois portadores da mutação se casarem e terem um filho com Spoan é muito grande. 

Na cidade de cerca de 4.000 habitantes, estima-se que uma em cada nove pessoas possua o gene causador da síndrome. Com a pesquisa, já é possível identificar os portadores.

A síndrome ainda não tem cura. Encarregada de encontrar o local exato do gene, a bióloga Lúcia Inês Macedo Souza afirma que ainda é preciso descobrir de que modo essa alteração genética leva à morte do nervo motor, que, por sua vez, gera a paralisia. O estudo é financiado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

Origem

Acusado como o causador da doença, o fato é que o velho Maximiniano pouco tem a ver com a história. Por meio de uma árvore genealógica, que registra a incidência da doença em cada núcleo familiar da cidade, a bióloga Silvana Santos constatou que o problema começou no casamento de Pedro Queiroz e Maria Alexandrina, pais da mulher de Maximiniano e, provavelmente, descendentes de holandeses. O casal teve três filhos, que tinham o gene defeituoso. Quando seus netos e bisnetos começaram a casar entre si, a doença apareceu. 

Cidade tem 26% da população com deficiência

Serrinha dos Pintos está entre as 50 cidades brasileiras com maior proporção de deficientes físicos entre seus habitantes, de acordo com o estudo Retratos da Deficiência no Brasil -primeira publicação a reunir informações de vários setores relacionadas aos portadores de deficiência. A pesquisa foi elaborada pela Fundação Getúlio Vargas a partir de dados do Censo 2000, realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). 

O estudo divide os municípios em dois rankings: o de "pessoas com deficiência", categoria na qual é incluído quem possui alguma dificuldade de visão ou audição, por exemplo, e o de "pessoas perceptoras de incapacidade", restrito àqueles que se declaram totalmente incapazes de andar, enxergar ou ouvir, por exemplo. 

Em ambos, Serrinha dos Pintos possui índices muito acima dos encontrados no resto do país. A cidade está em 13º lugar na lista de cidades com maior proporção de deficientes -29,23% da população possui alguma deficiência. Isso significa que, entre seus 4.295 moradores, havia 1.255 com algum tipo de deficiência em 2000. 

O índice é quase o dobro da média nacional, de 14,5% -o que representava 24,6 milhões de pessoas no último censo.

Cenário estadual

No segundo ranking, que aborda os casos mais graves, Serrinha dos Pintos está na 19ª posição: 5,79% da população (cerca de 250 pessoas) se diz portadora de alguma deficiência física ou mental que a torna incapaz. O índice nacional é de 2,51%.
Ainda de acordo com o trabalho, o Rio Grande do Norte, onde Serrinha dos Pintos está localizada, é o segundo Estado com a maior proporção de deficientes físicos. Lá, esse índice é de 17,64%.
Na Paraíba, primeiro lugar no ranking estadual, 18,76% dos habitantes tem alguma deficiência. São Paulo aparece na última posição, com 11,35% da população.

Fonte: www.integrando.org.br